Reprodução:
A primeira postura do casal
As crias
João Magalhães
Criei este blog para escrever sobre algumas espécies que mantenho e também escrever algo sobre as minha experiência como aquariófilo ao longo destes anos. Espero que gostem e principalmente que comentem e questionem.
A primeira postura do casal
João Magalhães
Ficha técnica:
Família: Poeciliidae
Género: Limia
Espécie: nigrofasciata
Origem: Haiti, lago Miragoane
Tamanho: macho – 6cm; fêmea – 7 a 8cm.
Descrição:
O macho mede em torno dos 6 cm e a fêmea em torno dos 7 cm.
O macho possui um corpo achatado lateralmente com uma pequena bossa na parte traseira da cabeça. Esta desenvolve-se em função da idade e da dominância. Esta bossa costuma aparecer entre os 9 e os 12 meses, praticamente logo após o macho atingir a sua maturidade sexual. A fêmea distingue-se do macho pelo seu maior tamanho e pela forma do corpo mais cilíndrica.
A cor é amarela com barras verticais pretas (9). A dorsal do macho tem uma forma arredondada com raios pretos concêntricos. No momento do acasalamento o macho intensifica os tons pretos e por vezes apresenta uns reflexos azuis sobre o corpo.
Habitat
Esta espécie é originária do Haiti, no lago Miragoane. Vive em águas calmas, quase estagnadas, e com muita vegetação.
Alimentação
É uma espécie omnívora aceitando quase tudo, contudo será importante fornecer um complemento vegetal razoável. Aceita flocos, comida congelada, e outros alimentos.
Manutenção
Em aquário devemos providenciar uma água alcalina com um pH entre os 7 e 8,5 e uma dureza entre 10 e 30 dGH. A temperatura deverá variar entre os 21 e os 28ºC aproximadamente, a temperatura ideal para reprodução ronda os 24ºC. É conveniente no inverno baixar-se a temperatura da água do aquário para os 21 ºC. Esta é uma espécie muito activa e com muita vivacidade, eu diria que raramente se vêm quietos. Por este motivo devemos mantê-los num aquário com uma centena de litros. Devemos prever um aquário densamente plantado, com bastantes esconderijos para as fêmeas não estarem constantemente sujeitas às investidas dos machos. As plantas flutuantes irão prever abrigo aos mais novos e recém-nascidos. Embora seja uma espécie muito activa não é agressiva, podendo ser mantida com espécies muito pacíficas e inofensivas, como é o caso dos Guppys. Sendo possível devemos manter esta espécie em grupo, por exemplo 2 machos e 4 fêmeas.
Reprodução
O macho persegue a fêmea intensivamente. Ele movimenta-se diante dela exibindo a sua dorsal. As suas riscas pretas intensificam-se. Ele continuará a sua parada nupcial até a fêmea estar receptiva ao acasalamento. Através do seu gonopodio (barbatana anal modificada), ele introduz os seus espermatozóides dentro da fêmea. Uma fecundação pode servir para várias posturas. Os ovos desenvolvem-se dentro da fêmea durante um período de gestação de 28 dias aproximadamente. A fêmea põe cerca de 20 a 40 crias com cerca de 1 cm. Os pequenos são bonitos e coloridos desde a nascença.
JM

Duas fotos de exemplares ainda jovens (6 a 8cm):Espécie: Hypsophrys nicaraguensis
Nome comum: Ciclídeo mariposa, Nica, entre outros...
Sinónimos: Esta espécie há algum tempo atrás era associada ao Vieja actuais (desde o momento em que eles eram classificados como Theraps) antes de receberem o nome do género Copora. Actualmente pertencem ao género Hypsophrys.
Primeiramente descrito por Günther em 1864 como Heros nicaraguensis, tendo obtido posteriormente varias denominações como Cichlasoma balteatum (Gill & Bransford, 1877), Cichlasoma spilotum (Meek, 1912) até à denominação actual de Hypsophrys nicaraguensis devido a revisão feita ao género por Kullander y K.E. Hartel em 1997.
Descrição:
Existem pelo menos duas variantes cromáticas: “cabeça verde” que como o nome indica existe a cor azul-esverdeado na cabeça e na barbatana dorsal dos indivíduos de ambos os sexos e os de “cabeça amarela” capturados por Jean-Claude Nourissat em 1992 nos quais a cor azul é ausente e existe mais vermelho sobre o corpo dos machos e as fêmeas apresentam um ventre muito colorido. Infelizmente esta coloração desapareceu a partir da 3ª geração em aquário. Uma forma completamente amarela é por vezes proposta.
O seu corpo é alongado, a boca é pequena e situada na parte inferior, a cabeça é redonda e mais redonda à medida que os machos envelhecem. A cor base é o amarelo com vermelho no ventre da fêmea. Apresentam uma linha negra que percorre lateralmente o corpo desde o opérculo até ao pedúnculo caudal passando, ao meio do corpo, por uma grande mancha negra, em certas variantes podemos ver 4 ou 5 barras. A banda negra que atravessa o corpo longitudinalmente é uma característica dos juvenis até aos 8 meses. Nesta espécie a fêmea é mais colorida e mais atraente de os machos.
O macho fica com um comprimento máximo de 20 cm, e a fêmea com 15 cm. No entanto criamos por vezes em nossos aquários monstros de mais de 30cm e com uma bossa extremamente grande, fruto de uma alimentação excessiva.
Distribuição geográfica:
Está espécie é encontrada em lagos e rios de águas calmas da Costa Rica e da Nicarágua, nos Lagos Nicarágua, Managua e Xiloja, no Rio San Juan, e nas ribeiras e rios junto à costa.
Água:
Como muitos ciclídeos desta zona, e um peixe que se adapta a uma larga faixa de parâmetros de agua, estando óptimas com um pH entre 7.0 e 8.0, e GH entre 9 e 20º. Temperatura entre 23, 36ºC.
Comportamento:
É uma espécie calma e pouco agressiva, contudo se o espaço for pequeno os machos dominados não exibem as duas cores e normalmente não exibem bossa nem fica com a cabeça arredondada, e a lista no corpo fica sempre visível.
Em jovens podem ser mais agressivos, mas esta agressividade desaparece com a idade. Geralmente respeitam as plantas, embora as possam arrancar, e preferem estar com mais indivíduos da sua própria espécie. E um peixe muito activo.
Devemos mantê-los com espécies pacíficas, como outros ciclídeos centro americanos de carácter forte, sempre que caibam no aquário. Alguns de seus companheiros podem ser Neetroplus nematopus, Tomocichla tuba, Astatheros rostratus, Astatheros alfari, Archocentrus septemfasciatus, Archocentrus Nigrofasciatus, Archocentrus sajica, Herotilapia multispinosa, Thorichthys meeki.
Alimentação:
Peixe omnívoro, no seu meio natural os juvenis alimentam-se de insectos aquáticos, invertebrados, e larvas de insectos da superfície e algas, os adultos procuram comida no substrato, que podem ser sementes, pequenos moluscos, algas, etc. Em cativeiro aceitam qualquer tipo de comida, é aconselhável uma dieta variada incluindo comida congelada ou viva.
Aquário:
É recomendável um aquário com 400L, embora para um casal poderá servir um de 200L, é importante para os peixes que o tanque seja largo, não e recomendável colocá-los num aquário com menos de 1m de comprimento, para possam nadar à vontade. Pedras ou troncos formando grutas e covas, plantas fortes tipo Anubia protegendo as raízes para que não as arranquem. Não gostam de uma corrente forte, eles precisam de águas límpidas. E necessário sombras que dão sensação de segurança ao peixes.
Reprodução:
A fêmea escolhe o local onde fará a desova e cuidará da postura. Podem por os ovos em qualquer desnível do substrato. Em liberdade fazem a postura em grutas escavadas por eles próprios.
Podem por 200 a 400 ovos amarelos que protegem a todo custo, e quando convivem varias fêmeas, todas ajudam na defesa das crias, expulsando a qualquer intruso que deles se aproxime.
Esta espécie poderá começar a reproduzir antes de 1 ano de idade, neste caso ficarão mais pequenos como acontece no seu meio natural (os peixes que se reproduzem mais cedo têm tendência a ficar mais pequenos).